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Crianças e VIH

Apesar de um significativo progresso no que toca à infeção por VIH em crianças, esta ainda se mantém em números demasiadamente altos. Estima-se que em 2016 existiam em todo o mundo 2,1 milhões de crianças a viver com o VIH. Destas, quase 90% concentravam-se geograficamente no continente Africano onde o acesso à medicação e aos cuidados de saúde é, como se sabe, muito limitado. Falando em números mundiais, apenas 43% das crianças infetadas têm acesso ao tratamento (medicação antirretroviral).

No entanto, nem todas as notícias são más. Falemos de coisas boas! Apesar dos números se manterem altos, estes têm vindo a diminuir ao longo dos anos. As novas infeções entre as crianças desceram 47% entre 2010 até 2016! Este é um resultado obtido através do trabalho intenso de prevenção com as grávidas e preocupação com o acompanhamento de saúde materna ao longo de toda a gestação. O risco de uma mãe a viver com o VIH passar o vírus para o seu bebé pode ser reduzido para 5% ou menos se ela tiver acesso a um tratamento antirretroviral efetivo durante a gravidez.

Diretamente relacionado com isto apresenta-se mais um número animador que é aquele relacionado com as mulheres grávidas que vivem com o VIH. Em 2016, 76% das mulheres grávidas a viverem com o VIH estavam a cumprir com tratamento antirretroviral.

 

O que precisa ser feito?

É necessária uma combinação de esforços para prevenir novas infeções entre as crianças, nomeadamente assegurar que as suas mães se mantêm saudáveis ao longo de toda a gestação.
O diagnóstico e o tratamento devem estar próximos de onde as crianças infetadas vivem. Os trabalhadores da área da saúde têm de se especializar e de estar sensibilizados para prestar o apoio devido às crianças que vivem com VIH.

É igualmente necessário pensar-se a nível farmacêutico. Os medicamentos antirretrovirais devem ser adaptados às necessidades das crianças, devem ser desenvolvidos no sentido de se criar um tratamento simples e efetivo e ser mantidos a um preço comportável. Para tal ser possível, é necessária uma combinação de forças, nomeadamente dos governos, ONG, investigadores, especialistas em saúde e a própria sociedade civil.

 

Este artigo foi escrito com base na “Children and HIV – Fact Sheet” (UNAIDS)

Autor: Luísa Oliveira | Assistente Social
Email: luisa.oliveira@abraco.pt

 

 

[1] Dados do Programa Nacional Infeção VIH/SIDA (2016) – www.pnvihsida.dgs.pt
[2] http://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/FactSheet_Children_en.pdf